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A importância do projeto de restauração

O projeto de restauração é muito importante para o cuidado de edifícios histórico. Vejamos os aspectos mais importantes desse processo

A restauração de edifícios históricos é um processo complexo e delicado que exige um profundo conhecimento das técnicas de construção e dos materiais usados no passado. Portanto, pode ser muito fácil cometer erros e causar, em alguns casos, danos irreparáveis. Para evitar que isso aconteça, o uso das ferramentas do buildingSMART Data Dictionary é indispensável.

Neste artigo, analisaremos diferentes aspectos de um projeto de restauração, com a ajuda de exemplos práticos, e examinaremos em profundidade as diferentes fases e medidas de restauração necessárias para preservar e aprimorar nosso patrimônio cultural.

A importância da restauração de edifícios históricos

A restauração de edifícios históricos é de fundamental importância para a preservação do nosso patrimônio cultural e arquitetônico. Além de preservar a memória histórica e as tradições locais, a restauração de edifícios contribui para manter viva a identidade cultural das comunidades e promover o desenvolvimento territorial sustentável.

Procedimento geral para a restauração de edifícios históricos

Um projeto de restauração de um edifício histórico passa por vários estágios, que podem ser resumidos nas etapas a seguir:

  1. levantamento do edifício e diagnóstico dos fenômenos de deterioração: isso nos permite conhecer o estado real do edifício e relatar tudo digitalmente graças a um software para HBIM (edifícios históricos).
  2. Estudo histórico e análise de técnicas e materiais de construção: é a coleta de todos os documentos (imagens, planos, vários desenhos técnicos) e análises que possibilitam a obtenção das informações necessárias para estudar o edifício. Para ajudar nessa fase, é importante recorrer a um BIM Management System.
  3. Projeto das intervenções de restauração e recuperação: quando todo o estudo preliminar estiver concluído, serão realizadas a identificação e o projeto das intervenções que podem melhorar a condição do edifício.
  4. Implementação das intervenções de restauração: aqui, todas as intervenções previstas na fase de projeto são colocadas em prática. O foco principal, no entanto, é a segurança (do edifício e das pessoas), razão pela qual o uso de um software BIM de gerenciamento de canteiros de obras é de suma importância.
  5. Documentação final e monitoramento da restauração: quando tudo estiver concluído, é necessário prosseguir com a catalogação e o arquivamento dos documentos. Para evitar a perda de documentos ou a catalogação incorreta, estão disponíveis soluções online que permitem arquivar e levar todos os documentos com você o tempo todo.

Projeto de restauração: quais são os conteúdos e os resultados?

Um projeto de restauração deve incluir uma série de conteúdos e documentos específicos, incluindo:

  1. relatório histórico e arquitetônico do edifício: descrição das características arquitetônicas, das técnicas de construção e dos materiais utilizados, bem como das transformações sofridas ao longo do tempo.
  2. Levantamento do edifício e diagnóstico dos fenômenos de deterioração: documentação fotográfica, planimétrica e altimétrica do edifício, bem como identificação das causas e manifestações da deterioração.
  3. Análise dos problemas e das necessidades de conservação: avaliação das prioridades e urgências de restauração.
  4. Projeto de restauração e recuperação: elaboração de projetos arquitetônicos, estruturais e de sistemas, com base nas necessidades específicas do edifício e nas normas vigentes.
  5. Cronograma e estimativa de custos: definição do cronograma e dos recursos econômicos necessários para a implementação do trabalho de restauração.

Levantamento e documentação de fenômenos de degradação

O levantamento e a documentação dos fenômenos de deterioração são fundamentais para o diagnóstico correto dos problemas do edifício e para o planejamento do trabalho de restauração. Entre as técnicas de levantamento mais comumente usadas estão a fotografia digital, a termografia, a varredura a laser e a tomografia. Essas ferramentas permitem detectar e documentar com precisão as manifestações de deterioração, como rachaduras, descolamentos, eflorescência e colonização biológica.

Exemplo de levantamento digital da deterioração do edifício histórico San Pietro in Vinculis, em Nápoles

Esse estudo de caso foi realizado pela ACCA software em sinergia com os Departamentos de Arquitetura e Engenharia Estrutural da Universidade Federico II de Nápoles e com as empresas Stress e ETT.

O projeto, denominado BIM ReculT, concentrou-se na restauração da igreja de San Pietro in Vinculis, em Nápoles. O levantamento digital possibilitou identificar e documentar com precisão os fenômenos de degradação que afetavam as superfícies das paredes e as decorações internas. Graças ao uso de tecnologias como o escaneamento a laser, a fotografia de alta resolução e o software HBIM, foi possível digitalizar todos os elementos que caracterizam o edifício.

O projeto envolveu a estruturação e a criação de:

  • objetos HBIM;
  • fichas de informações;
  • uma plataforma colaborativa para o gerenciamento compartilhado do processo.

Com base nos dados documentais adquiridos por scanner a laser, fotogrametria digital e levantamento SLAM, o modelo foi gerenciado inteiramente no ambiente BIM.

Exemplo de levantamento digital da degradação do edifício histórico Villa Matarazzo em Herculano

Também no caso da restauração da Villa Matarazzo em Herculano, o levantamento digital e a aplicação da metodologia BIM desempenharam um papel fundamental na documentação dos fenômenos de degradação e no projeto das intervenções de restauração. Nesses processos, as maiores dificuldades consistem em reunir uma série de informações diversificadas e fragmentadas.

Nesse caso, a possibilidade de documentar o estado de conservação usando o usBIM.bSDD foi demonstrada por meio do estudo da Villa Matarazzo em Herculano. O estudo foi conduzido pelo DIARC – Departamento de Arquitetura da Universidade de Nápoles Federico II e, portanto, destaca a aplicação da metodologia BIM a artefatos históricos (HBIM). O objetivo é otimizar o gerenciamento de dados de informações para fins de proteção, aprimoramento, conservação e recuperação do ambiente construído.

Projeto de restauração de edifícios históricos: como organizar a recuperação e a restauração?

Para organizar melhor a recuperação e a restauração de um edifício histórico, é necessário seguir uma abordagem multidisciplinar que envolva diferentes habilidades e profissionais, como arquitetos, engenheiros, historiadores da arte, restauradores e geólogos. Além disso, é importante considerar os seguintes aspectos:

  1. definição dos objetivos da restauração: valorização do patrimônio cultural, recuperação funcional, adaptação às normas, melhoria das condições de segurança e acessibilidade, etc.
  2. Planejamento das fases de intervenção: levantamento e diagnóstico, projeto, implementação, documentação e monitoramento.
  3. Envolvimento das autoridades competentes e das comunidades locais: solicitação das autorizações e licenças necessárias, promoção da participação e do apoio das comunidades envolvidas.
  4. Busca de financiamento e incentivos: identificação de fontes de financiamento públicas e privadas, apresentação de projetos e solicitações de subsídios.

Trabalho de restauração: o que é e como fazer?

Os trabalhos de restauração de edifícios históricos podem ser divididos em várias categorias, incluindo:

  1. obras de consolidação estrutural: visam garantir a estabilidade e a segurança do edifício, por meio de reforço, fixação, injeções e juntas estruturais.
  2. Trabalhos de restauração arquitetônica: envolvem a conservação e a recuperação de superfícies de alvenaria, decorações e elementos arquitetônicos, por meio de limpeza, reintegração, reboco e patinação.
  3. Trabalhos de restauração de instalações e infraestruturas: envolvem a substituição ou adaptação de sistemas elétricos, de encanamento, de aquecimento e de ar condicionado, bem como de redes de comunicação e segurança.
  4. Trabalhos de restauração de paisagens e ambientes: consistem na restauração e no aprimoramento de espaços externos, jardins e áreas verdes, com trabalhos de manutenção, plantio e iluminação.

Restauração de fachadas de edifícios históricos: como fazer planos e intervenções?

A restauração das fachadas de edifícios históricos requer atenção especial no projeto e na implementação das intervenções, a fim de preservar a aparência estética e as características originais. Entre as principais ações a serem realizadas estão:

  1. levantamento e análise da condição das fachadas: documentação de lesões, alterações e pátinas de poluição, por meio de fotografias, desenhos e amostragem.
  2. Escolha de técnicas e materiais de restauração: seleção de métodos de limpeza, consolidação, reintegração e proteção, com base nos critérios de compatibilidade, reversibilidade e durabilidade.
  3. Planejamento do trabalho de restauração: elaboração de projetos executivos e especificações técnicas, em colaboração com especialistas em restauração e conservação.
  4. Implementação de obras de restauração: execução de obras de restauração de fachadas, de acordo com as especificações do projeto e as boas práticas do setor, usando pessoal especializado e equipamentos adequados.

Tecnologias e ferramentas usadas no projeto de restauração

Na restauração de edifícios históricos, o uso de tecnologias e ferramentas avançadas é fundamental para garantir a qualidade e a eficácia das intervenções. Alguns exemplos de tecnologias utilizadas são:

  1. escaneamento a laser: permite um levantamento tridimensional de alta precisão do edifício e de suas superfícies.
  2. Termografia infravermelha: possibilita a detecção de anomalias térmicas e infiltração de água em estruturas de alvenaria.
  3. Tomografia elétrica: facilita a detecção de cavidades, descontinuidades e umidade na alvenaria.
  4. Sistemas de monitoramento e controle: fornecem informações em tempo real sobre o estado de conservação do edifício e permitem a intervenção oportuna em caso de anomalias ou perigos.

Documentação final do projeto de restauração

Após a conclusão do trabalho de restauração, é importante elaborar uma documentação final que ilustre o processo seguido e os resultados obtidos. Essa documentação pode incluir:

  1. relatório final: descrição detalhada das intervenções realizadas, dos materiais usados e das técnicas adotadas.
  2. Documentação fotográfica e gráfica: imagens e desenhos que mostram a evolução da restauração e a comparação entre o estado inicial e o final.
  3. Relatório de monitoramento: análise dos dados coletados pelos sistemas de controle e avaliação do desempenho do trabalho de restauração.
  4. Arquivo histórico e bibliográfico: coleção de documentos, publicações e referências bibliográficas relacionadas ao edifício e à restauração.

O papel dos especialistas na restauração de edifícios históricos

Os especialistas em restauração e conservação desempenham um papel fundamental no processo de restauração de edifícios históricos, pois possuem o conhecimento e as habilidades necessárias para garantir uma intervenção que respeite o patrimônio e suas peculiaridades. As figuras profissionais envolvidas incluem arquitetos, engenheiros, restauradores, historiadores da arte, geólogos e técnicos especializados.

Considerações éticas e legais na restauração de edifícios históricos

A restauração de edifícios históricos envolve uma série de considerações éticas e legais relacionadas à preservação do patrimônio cultural e à proteção dos direitos e interesses das comunidades locais. Entre os aspectos mais relevantes estão:

  1. conformidade com princípios e padrões internacionais: adesão às convenções, recomendações e diretrizes da UNESCO, do ICOMOS e de organizações de patrimônio cultural.
  2. Envolvimento das autoridades e instituições competentes: solicitação das autorizações e permissões necessárias para o trabalho de restauração e conformidade com as leis e normas vigentes.
  3. Salvaguarda dos valores culturais e das identidades locais: encontrar um equilíbrio entre a conservação do patrimônio histórico-artístico e a valorização das especificidades culturais e territoriais.
  4. Acessibilidade e fruição pública: garantia de acesso adequado e condições de visita para todos os cidadãos e visitantes, respeitando os requisitos de segurança, inclusão e sustentabilidade.

 

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