BIM para restauração: como o HBIM transforma a gestão do patrimônio histórico
O BIM para restauração permite gerenciar intervenções no patrimônio edificado de forma digital e integrada. Descubra como o HBIM enfrenta as principais críticas da restauração através de 3 casos de estudo reais

A transformação digital está impactando de maneira significativa o setor de restauração e conservação do patrimônio histórico. Tecnologias como scanner a laser 3D, fotogrametria, drones e gêmeos digitais permitem adquirir informações extremamente precisas sobre os edifícios existentes e construir modelos informativos BIM caracterizados por uma quantidade notável de dados geométricos, construtivos e diagnósticos.
O BIM aplicado à restauração oferece ferramentas úteis para documentar o estado atual do patrimônio edificado, coordenar as atividades de projeto, programar as intervenções e gerenciar a manutenção ao longo do tempo. O modelo digital se configura assim como um arquivo dinâmico capaz de reunir levantamentos, análises históricas, dados técnicos e informações gerenciais dentro de um único ambiente compartilhado.
A integração entre levantamento digital e modelagem informativa permite melhorar o conhecimento do manufato histórico e reduzir a incerteza nas escolhas projetuais, graças a um quadro informativo verificável e atualizável em todas as fases do processo, desde o diagnóstico até a conservação do bem. A implementação de tais processos encontra aplicação operacional dentro de plataformas de software HBIM (Historical/Heritage BIM), que permitem organizar e gerenciar de forma integrada levantamentos, modelos e informações diagnósticas, a apoio das atividades de análise, projeto e conservação do patrimônio histórico.
Neste artigo, descobriremos em detalhes quais são as principais tecnologias digitais para os projetos de restauração, quais dados inserir no modelo BIM e, através de 3 casos de estudo aplicativos, veremos quais vantagens o HBIM oferece para a proteção do patrimônio histórico.
Índice
A restauração entra na era digital
A conservação do patrimônio histórico e arquitetônico está passando por uma evolução significativa graças à difusão das tecnologias digitais. Se até poucos anos atrás o conhecimento dos edifícios existentes se baseava principalmente em levantamentos tradicionais, elaborados gráficos e arquivos em papel, hoje é possível adquirir, organizar e correlacionar uma grande quantidade de dados com níveis de detalhe e precisão antes dificilmente alcançáveis.
Entre as ferramentas que transformaram o setor, o Building Information Modeling ocupa um papel determinante, uma vez que introduziu uma nova abordagem à gestão das informações sobre o edifício. O BIM permite construir modelos digitais nos quais convergem informações geométricas, materiais, históricas, diagnósticas e gerenciais, que restitui uma representação orgânica do manufato e de suas transformações ao longo do tempo.
A inovação digital abrange todo o ciclo de vida do bem: desde a fase de conhecimento inicial até o projeto das intervenções, passando pela gestão e conservação subsequente. A integração entre levantamentos avançados, modelos informativos e sistemas de monitoramento disponibiliza um patrimônio informativo atualizável, compartilhável e facilmente consultável por todos os sujeitos envolvidos no processo de restauração.
Por que o BIM é útil na restauração
As intervenções no patrimônio histórico requerem um conhecimento aprofundado do edifício e a capacidade de gerenciar informações muito diversas entre si. Geometrias irregulares, estratificações construtivas, transformações ocorridas ao longo do tempo, materiais heterogêneos e dados diagnósticos tornam a restauração um processo particularmente complexo.
O BIM permite coletar e relacionar todas as informações disponíveis sobre o bem dentro de um único modelo digital. Dessa forma, dados geométricos, características materiais, resultados das investigações, documentação histórica e informações projetuais permanecem sempre conectados entre si e facilmente consultáveis.
A utilização do BIM na restauração oferece numerosas vantagens:
- centraliza as informações relativas ao manufato em um único ambiente digital;
- facilita o coordenamento entre projetistas, restauradores, especialistas e empresas;
- reduz o risco de erros e incoerências entre elaborados e dados técnicos;
- apoia a análise do estado de conservação do edifício;
- permite rastrear e documentar as intervenções realizadas ao longo do tempo;
- facilita a programação das atividades de gestão e manutenção.
Os benefícios são particularmente evidentes durante a elaboração do projeto de restauração, quando levantamentos, investigações diagnósticas, pesquisas históricas e verificações técnicas devem convergir em um quadro de conhecimento unitário e constantemente atualizável.

Por que o BIM é útil na restauração
As principais tecnologias digitais para a restauração
A aplicação do BIM para restauração ao patrimônio histórico baseia-se na integração de diversas tecnologias digitais que suportam as atividades de levantamento, análise, modelagem e gestão das informações. Cada uma delas desempenha uma função específica dentro do processo de conhecimento do manufato e contribui para a construção de modelos informativos cada vez mais precisos e completos.
Desde os sistemas de aquisição da realidade até as plataformas de monitoramento, as ferramentas digitais permitem coletar dados confiáveis, documentar o estado de conservação dos edifícios e apoiar as decisões projetuais durante todas as fases da intervenção.
A seguir, analisamos as principais tecnologias digitais empregadas na restauração e seu uso nas atividades de levantamento, modelagem e gestão do patrimônio arquitetônico.
Laser scanner 3D para o levantamento de edifícios históricos
Os sistemas laser scanner permitem adquirir milhões de pontos no espaço e obter uma representação tridimensional extremamente precisa do edifício. A tecnologia é particularmente útil no caso de manufatos históricos caracterizados por geometrias complexas, superfícies irregulares e detalhes arquitetônicos difíceis de serem detectados com métodos tradicionais.
Os principais benefícios do levantamento a laser incluem:
- alta precisão métrica;
- rapidez na aquisição dos dados;
- possibilidade de detectar elementos complexos e decorativos;
- redução das atividades de medição direta no manufato;
- disponibilidade de dados digitais imediatamente utilizáveis nas fases de trabalho subsequentes.
As informações coletadas constituem uma base confiável para a documentação do estado atual e para a subsequente modelagem BIM para restauração do existente.
Fotogrametria digital para superfícies, fachadas e detalhes arquitetônicos
A fotogrametria digital permite reconstruir modelos tridimensionais a partir de imagens fotográficas adquiridas do solo ou de plataformas aéreas. Graças ao alto nível de detalhe que pode ser obtido, essa tecnologia encontra ampla aplicação no levantamento de fachadas, aparatos decorativos, elementos esculturais e superfícies caracterizadas por complexidades geométricas ou materiais específicas.
Entre os principais benefícios da fotogrametria estão:
- aquisição precisa de superfícies e detalhes arquitetônicos;
- restituição tridimensional de alta resolução;
- disponibilidade de informações cromáticas e materiais;
- possibilidade de documentar amplas porções do edifício em tempos reduzidos;
- integração com outras tecnologias de levantamento digital.
Por essa razão, a fotogrametria representa hoje uma ferramenta fundamental nas atividades de levantamento arquitetônico, especialmente quando é necessário documentar de forma detalhada o estado de conservação de superfícies e decorações. Os dados obtidos podem ser integrados com aqueles provenientes de outras tecnologias de levantamento e utilizados para a construção de modelos BIM para restauração cada vez mais aderentes às características reais do manufato.
Drones para levantamento em áreas complexas ou de difícil acesso
A utilização de drones ampliou consideravelmente as possibilidades de aquisição de dados no setor da restauração. Esses instrumentos permitem, de fato, levantar partes do edifício de difícil acesso, como coberturas, campanários, torres, fachadas monumentais e áreas sujeitas a restrições de segurança específicas.
O uso de sistemas UAV (Veículo Aéreo Não Tripulado) oferece várias vantagens:
- acesso rápido a zonas inacessíveis por terra;
- redução dos riscos para os operadores;
- aquisição de imagens de alta resolução;
- apoio às atividades de fotogrametria aérea;
- possibilidade de realizar campanhas de monitoramento periódicas.
As informações coletadas podem ser integradas com levantamentos a laser e fotogramétricos terrestres, que garantem um conhecimento mais completo do edifício histórico.
Nuvens de pontos para documentar o estado atual
As tecnologias de levantamento digital produzem uma grande quantidade de dados tridimensionais que descrevem com alta precisão a geometria do edifício. O resultado dessas aquisições é a nuvem de pontos, ou seja, um conjunto de milhões de coordenadas espaciais que reproduzem fielmente formas, dimensões e características do bem.
O uso das nuvens de pontos oferece inúmeras vantagens:
- representação precisa do estado atual;
- possibilidade de realizar medições e verificações a qualquer momento;
- identificação de deformações, danos e irregularidades geométricas;
- apoio às atividades de análise e projeto;
- base informativa para a modelagem BIM do existente.
A qualidade do modelo final depende em grande parte da precisão e da completude dos dados adquiridos nesta fase. A gestão e a conversão das nuvens de pontos em modelos informativos ocorrem através de software point cloud to BIM específicos, que permitem a elaboração dos dados e sua transformação em modelos BIM tridimensionais.
Modelagem BIM do existente
A modelagem BIM do existente consiste na criação de um modelo digital que representa o edifício e reúne as informações geométricas, técnicas e documentais. Ao contrário do projeto de novas construções, o trabalho sobre o patrimônio histórico requer a gestão de geometrias irregulares, elementos construtivos não padronizados e estratificações que se sucederam ao longo do tempo.
O processo de scan to BIM permite transformar os dados adquiridos por meio de laser scanner, fotogrametria e nuvens de pontos em um modelo informativo consultável e atualizável. O resultado não se limita a uma reconstrução tridimensional, mas constitui um sistema capaz de associar a cada elemento informações úteis para as atividades de análise, projeto e gestão do bem.
As principais vantagens da modelagem BIM do existente são:
- integração das informações geométricas e alfanuméricas;
- representação digital do bem com alto nível de detalhe;
- gestão coordenada dos dados provenientes de fontes diferentes;
- apoio às atividades de projeto e verificação das intervenções;
- atualização contínua das informações durante o ciclo de vida do bem.
O modelo BIM torna-se assim o ponto de referência para todos os envolvidos no processo de conservação e valorização do patrimônio histórico.
Realidade virtual e realidade aumentada para visualizar e comunicar o projeto
As tecnologias imersivas oferecem novas modalidades de exploração e comunicação do patrimônio histórico. Com o uso da realidade virtual e aumentada, projetistas, entidades de proteção e contratantes podem visualizar o manufato e avaliar as intervenções propostas antes de sua realização.
Essas ferramentas favorecem uma compreensão mais imediata das informações contidas no modelo BIM para restauração e melhoram a comparação entre os diferentes sujeitos envolvidos no projeto.
Entre as principais vantagens estão:
- monitoramento contínuo das condições do edifício;
- coleta e atualização automática das informações;
- identificação tempestiva de anomalias e criticidades;
- apoio à programação das intervenções;
- melhor controle das atividades de gestão do bem.
As informações coletadas podem apoiar estratégias de manutenção preditiva, que consistem em planejar as intervenções com base nas reais condições do manufato e não exclusivamente segundo prazos pré-estabelecidos.
Inteligência artificial e análise de dados para o restauro
A inteligência artificial está encontrando aplicação também no setor da conservação do patrimônio histórico graças à capacidade de processar grandes quantidades de dados e identificar relações dificilmente detectáveis por meio de análises tradicionais. A integração entre algoritmos avançados, dados de levantamento e modelos BIM abre novas perspectivas para o conhecimento e a gestão dos edifícios existentes.
Entre as principais aplicações da inteligência artificial no restauro estão:
- reconhecimento automático de elementos arquitetônicos;
- classificação e catalogação dos materiais;
- identificação de anomalias e fenômenos de degradação;
- apoio às atividades diagnósticas;
- elaboração de cenários previsionais sobre o comportamento do manufato.
Particularmente interessantes são as aplicações dedicadas à análise da degradação com um software BIM, que permitem integrar informações diagnósticas e dados históricos dentro de um único ambiente informativo a apoio das decisões projetuais.

Tecnologias digitais para o restauro: laser scanner 3D, fotogrametria, drones, modelagem HBIM e IA para o conhecimento e a conservação do patrimônio histórico.
Quais dados inserir no modelo BIM para restauração
A eficácia de um modelo BIM para a restauração do patrimônio histórico depende da qualidade e da completude das informações que contém. Ao contrário dos modelos desenvolvidos para novas construções, aqueles destinados à restauração devem reunir dados provenientes de disciplinas diferentes e descrever não apenas a configuração atual do edifício, mas também sua história, seu estado de conservação e as intervenções realizadas ao longo do tempo.
A organização dessas informações dentro do modelo permite dispor de uma base de conhecimento confiável para apoiar as atividades de análise, projeto, gestão e manutenção do bem. Abaixo estão os principais dados a serem incluídos em um modelo BIM para restauração.
Dados geométricos
Os dados geométricos descrevem forma, dimensões e características espaciais do edifício. Representam a base do modelo BIM e geralmente derivam das atividades de levantamento digital.
Entre as principais informações geométricas estão:
- dimensões e geometrias dos elementos construtivos;
- configuração dos espaços internos e externos;
- características morfológicas das superfícies;
- deformações e irregularidades geométricas;
- relações espaciais entre os diferentes componentes.
A precisão desses dados influencia diretamente a confiabilidade das análises e das atividades de projeto subsequentes.
Dados materiais
O conhecimento dos materiais constitui um aspecto fundamental na restauração de edifícios históricos. O modelo BIM pode reunir informações relativas às características físicas, mecânicas e de desempenho dos materiais presentes na obra.
Entre os dados mais significativos estão:
- tipologia dos materiais construtivos;
- características físicas e químicas;
- técnicas executivas originais;
- estado de conservação dos materiais;
- eventuais intervenções de substituição ou integração.
Essas informações apoiam a avaliação da compatibilidade entre materiais existentes e materiais previstos para as intervenções.
Dados históricos
Os edifícios históricos são o resultado de transformações que ocorreram ao longo do tempo. Por essa razão, o modelo BIM pode integrar informações úteis para a reconstrução da história da obra e de suas diferentes fases evolutivas.
Entre os principais dados históricos podem ser incluídos:
- ano de construção;
- transformações e ampliações subsequentes;
- documentação arquivística;
- fontes bibliográficas;
- levantamentos e estudos anteriores.
A disponibilidade dessas informações facilita a compreensão do bem e apoia as escolhas projetuais durante as intervenções de conservação.
Dados diagnósticos
Os dados diagnósticos permitem descrever as condições do edifício e identificar eventuais criticidades que requerem intervenções específicas.
No modelo BIM podem ser associados:
- resultados das investigações estruturais;
- análises dos materiais;
- mapeamentos do degrado;
- dados provenientes de monitoramentos e sensores;
- verificações sobre o comportamento do edifício.
A integração das informações diagnósticas permite correlacionar as problemáticas identificadas com os elementos individuais do modelo e planejar as intervenções de maneira mais consciente.
Dados projetuais
O modelo BIM contém todas as informações relativas às intervenções previstas no manufato e se configura como uma ferramenta de apoio ao projeto e ao coordenamento das atividades.
Entre os principais dados projetuais estão:
- intervenções previstas nos elementos individuais;
- soluções técnicas adotadas;
- materiais de projeto;
- elaborados e fichas técnicas;
- cronogramas e fases de intervenção.
A gestão integrada dessas informações favorece o controle das escolhas projetuais e a rastreabilidade das atividades executadas.
Dados gerenciais e de manutenção
Uma das principais vantagens do BIM é a possibilidade de utilizar o modelo mesmo após a conclusão das obras. As informações gerenciais e de manutenção permitem, de fato, apoiar as atividades necessárias à conservação do bem a longo prazo.
Entre os dados que podem ser associados ao modelo estão:
- plano de manutenção;
- calendário de inspeções;
- histórico das intervenções realizadas;
- informações sobre os componentes substituídos;
- procedimentos operacionais para a gestão do bem.
A atualização contínua desses dados contribui para melhorar a programação das atividades de manutenção e a conservação do patrimônio histórico.
Três casos de estudo aplicativos: como o HBIM resolve as críticas operacionais da restauração
Quem trabalha diariamente com o patrimônio histórico conhece bem as dificuldades que a modelagem de edifícios não padronizados implica: geometrias irregulares, materiais não uniformes, técnicas construtivas muitas vezes não documentadas e estratificações acumuladas ao longo dos séculos. São exatamente essas características que tornam a modelagem do existente uma operação complexa e, com as ferramentas tradicionais, particularmente dispendiosa em termos de tempo. Três casos de estudo aplicados a três patrimônios históricos italianos mostram concretamente como o Heritage BIM, através do software Edificius e seu módulo dedicado, permite enfrentar essas críticas de maneira eficiente.
O desafio da modelagem de um edifício irregular: o complexo monumental do Monte em Montella
O primeiro caso de estudo diz respeito ao complexo monumental do Monte, em Montella: um convento do século XV que, ao longo dos séculos, assumiu funções diferentes, passando de castrum defensivo a residência nobre, até se tornar um local de culto e centro espiritual. O complexo ainda conserva hoje um antigo aqueduto em funcionamento. A natureza estratificada do edifício, caracterizada por geometrias irregulares e elementos arquitetônicos históricos, torna a modelagem particularmente complexa e requer, com ferramentas HBIM tradicionais, tempos de processamento elevados.
A utilização de um software HBIM equipado com bibliotecas paramétricas dedicadas ao patrimônio histórico permitiu simplificar e acelerar todo o processo de modelagem. A partir de um levantamento adquirido por meio da tecnologia Scan to BIM, a nuvem de pontos foi importada para o software e utilizada para obter uma seção horizontal de referência, na qual foram identificadas paredes, aberturas e outros elementos construtivos, trabalhando de forma sincronizada entre a representação 2D e o modelo informativo 3D.
As bibliotecas HBIM pré-configuradas permitiram modelar rapidamente elementos típicos da arquitetura histórica, como arcos, pisos de madeira, nichos e capitéis, evitando longas operações de modelagem manual. A integração de ortofotos no modelo digital também apoiou um primeiro mapeamento do quadro de fissuras e do estado de conservação. A partir do modelo informativo, foi finalmente possível gerar automaticamente elaborados gráficos, como plantas, fachadas e seções, além de vistas tridimensionais e renders úteis para a documentação e navegação do complexo monumental.

BIM para restauração – Inserção de um capitel utilizando o módulo HBIM do software Edificius
A dificuldade de ler e classificar o degrado: Palácio Gambone
Outra criticidade típica dos intervenções sobre o patrimônio histórico diz respeito à identificação, classificação e representação do estado de degrado do edifício. O segundo caso de estudo, dedicado ao Palácio Gambone em Montella, mostra como um software HBIM pode apoiar de forma eficaz as atividades de levantamento, análise e manutenção do patrimônio histórico.
A partir do levantamento do edifício, foi possível classificar de forma sistemática danos e lesões, registrando informações como a tipologia do degrado, o nível de gravidade, as possíveis causas e outros parâmetros úteis ao diagnóstico do estado de conservação. A aplicação de uma ortofoto georreferenciada no modelo digital permitiu localizar com precisão as áreas afetadas pelo degrado e associar diretamente as informações ao modelo informativo 3D, melhorando a legibilidade do quadro de fissuras e a compartilhamento dos dados entre os diferentes sujeitos envolvidos.
Uma vez censitadas e classificadas, as informações sobre o degrado tornam-se parte integrante do modelo HBIM, a partir do qual é possível gerar automaticamente elaborados gráficos 2D, mapas temáticos e tabelas acompanhadas da respectiva legenda. Esta integração entre levantamento, análise e documentação torna mais eficiente o planejamento das intervenções de restauração, garantindo uma gestão do patrimônio edificado mais precisa, rastreável e compartilhada.

BIM para restauração: classificação do degrado em ortofoto georreferenciada com Edificius
O problema da consulta à distância e da documentação dispersa: o gêmeo digital da Villa d’Este
Uma das principais críticas na gestão do patrimônio histórico diz respeito à possibilidade de consultar, compartilhar e atualizar as informações relativas a um edifício sem a necessidade de estar fisicamente no local. Essa necessidade se torna ainda mais relevante quando projetistas, restauradores, entidades de proteção e outros profissionais precisam acessar os mesmos dados em momentos e locais diferentes.
O terceiro caso de estudo diz respeito à Villa d’Este, um dos mais importantes exemplos de jardim à italiana do século XVI, inserido na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO. O projeto mostra como um gêmeo digital acessível na nuvem pode melhorar a gestão, a consulta e o compartilhamento das informações durante todo o ciclo de vida do bem.
Através de um sistema de gestão BIM, o modelo digital pode ser consultado e navegado remotamente por todos os usuários autorizados. A geolocalização em mapa e as ferramentas de navegação permitem explorar o modelo 3D, realizar medições, criar seções dinâmicas e analisar os espaços internos, além de simular condições de iluminação e visualização diferentes, reduzindo a necessidade de visitas dedicadas exclusivamente à consulta.
O gêmeo digital torna-se também um ponto de acesso unificado a toda a documentação técnica e informativa do bem. A cada elemento do modelo podem ser associados documentos, relatórios, fotografias, imagens em 360°, vídeos, gravações de áudio e outros documentos, criando um arquivo digital estruturado, sempre atualizado e facilmente consultável por todos os envolvidos. Dessa forma, supera-se a fragmentação das informações, frequentemente distribuídas entre arquivos, pastas e suportes diferentes, melhorando a rastreabilidade dos dados e a colaboração entre os diversos atores do processo.
A integração com ferramentas de visualização imersiva, como renders fotorrealistas e realidade virtual, permite ainda explorar o site à distância, oferecendo uma experiência útil tanto para as atividades de análise e projeto quanto para a valorização e divulgação do patrimônio cultural.

Visualização imersiva do gêmeo digital da Villa d’Este com usBIM.reality
Estes casos de estudo demonstram como o HBIM pode apoiar concretamente a restauração e a gestão do patrimônio histórico, enfrentando criticidades recorrentes como a modelagem de geometrias complexas, a documentação da degradação e a partilha das informações. Graças à integração entre levantamento, modelo informativo e digital twin, é possível melhorar a eficiência de todo o processo, desde o conhecimento do edifício até o planejamento das intervenções, passando pela gestão e manutenção ao longo do tempo.
Se deseja aprofundar este enfoque e descobrir como gerenciar todas as fases do processo, desde a nuvem de pontos até a produção da documentação técnica, explore as funcionalidades do software HBIM para a recuperação e a restauração dos edifícios históricos utilizado nos casos de estudo apresentados.
FAQ sobre BIM para restauração
O que é o BIM para restauração?
O BIM para restauração é a aplicação da metodologia Building Information Modeling às intervenções em edifícios existentes e patrimônio histórico. Permite reunir em um único modelo digital dados geométricos, construtivos, históricos, diagnósticos e de manutenção, melhorando o conhecimento do bem e apoiando a projeção, conservação e gestão ao longo do tempo.
Qual é a diferença entre BIM e HBIM?
O BIM é uma metodologia para a gestão digital das informações ao longo do ciclo de vida de um edifício. O HBIM (Historic Building Information Modeling) representa a sua aplicação ao patrimônio histórico e aos edifícios existentes, integrando no modelo dados provenientes de levantamentos, documentação histórica, análises diagnósticas e monitoramentos, além de bibliotecas paramétricas dedicadas aos elementos arquitetônicos tradicionais.
Quais tecnologias são utilizadas no BIM para restauração?
O BIM para restauração integra diversas tecnologias digitais, incluindo laser scanner 3D, fotogrametria, drones, nuvens de pontos, processos Scan to BIM, digital twin, realidade virtual e plataformas cloud colaborativas. A integração dessas ferramentas permite obter modelos informativos precisos e constantemente atualizáveis.
Quais vantagens oferece o HBIM na restauração dos edifícios históricos?
O HBIM permite melhorar a qualidade do levantamento e da modelagem, centralizar todas as informações relativas ao bem, documentar a degradação, apoiar as decisões projetuais, facilitar a colaboração entre os profissionais e planejar de forma mais eficaz a manutenção e a conservação do patrimônio histórico.
Quais informações contém um modelo HBIM?
Um modelo HBIM pode incluir dados geométricos, características dos materiais, documentação histórica, resultados das investigações diagnósticas, mapeamentos da degradação, informações projetuais, planos de manutenção e documentação técnica relacionada aos elementos do modelo, como fotografias, elaborados, relatórios e fichas de intervenção.
De que forma o digital twin apoia a gestão do patrimônio histórico?
Um digital twin permite consultar e atualizar remotamente o modelo digital do edifício, compartilhar a documentação entre todos os envolvidos e monitorar ao longo do tempo o estado do bem. Integrando modelo informativo e dados atualizados, melhora a gestão, a manutenção e a valorização do patrimônio histórico.
É possível utilizar o BIM para restauração também em edifícios históricos de pequenas dimensões?
Sim. Embora o BIM para restauração seja frequentemente associado a intervenções complexas ou de grande valor monumental, pode ser útil também para edifícios históricos de dimensões contidas.
A quantidade de informações e o nível de detalhe do modelo podem, de fato, ser calibrados em função dos objetivos do projeto, dos recursos disponíveis e das necessidades de gestão do proprietário ou do ente responsável.


