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Classificação de risco e a gestão de pontes

Apresentação de case da Autoestrada A3 e metodologias experimentais para classificação de risco e gestão de pontes

O desenvolvimento econômico e social de um País está intimamente ligado aos serviços que oferece aos seus cidadãos e um deles é, sem dúvida, a rede rodoviária.

Hoje, mais do que nunca, as conexões inadequadas ou ausentes entre cidades representam um problema importante tanto em termos de segurança para as pessoas que beneficiam de infra-estruturas como em termos de continuidade do serviço.

Deste ponto de vista, os pontos críticos da rede de infraestruturas são, sem dúvida, pontes, viadutos e túneis.

É por isso que a classificação de risco e a gestão de pontes com uma abordagem inteligente são essenciais para garantir a segurança pública. Para fazer isso, é útil usar ferramentas específicas de software de gestão de pontes capazes de monitorar todos os aspectos do processo de gerenciamento de manutenção, desde a compreensão da deterioração das pontes ao longo do tempo até a identificação de ativos que precisam de reparo ou substituição.

Neste artigo, descreveremos brevemente um caso de estudo da seção da Autoestrada A3, autoestrada no sul da Itália que conecta Nápoles a Reggio Calabria. O case foi liderado pelo CUGRI (Centro Interuniversitario di Ricerca per la Previsione e la Prevenzione dei Grandi Rischi) e pela SPN S.p.A. (Salerno Pompei Napoli S.p.A.).

A pesquisa será disponibilizada, na íntegra, ao final deste artigo.

A imagem mostra o gestão de pontes | Arquivamento centralizado

Gestão de pontes | Arquivamento centralizado

Introdução às diretrizes para classificação de risco e gestão de pontes

Os pontos fracos da rede rodoviária italiana são representados por pontes, viadutos e túneis.

De fato, muitas vezes a usabilidade das estradas dezenas de quilômetros de comprimento é comprometida por danos em um único viaduto.

Além disso, deve-se levar em conta a peculiar morfologia do País, que leva a um sistema muito complexo e articulado de 180.000 km divididos, por suas vez, em:

  • 6.700 km de autoestradas;
  • 19.800 km de estradas estaduais, ou seja, rodovias gerenciadas pelo Estado;
  • 100 mil km de estradas gerenciados pelas Regiões.

Para ter soluções aceitáveis para os vários problemas que possam surgir, e após o colapso do viaduto Polcevera em Gênova (também conhecido como “ponte Morandi”), foram publicadas em em 2020 as “Diretrizes para classificação e gestão de riscos, avaliação de segurança e monitoramento de pontes existentes”.

Eles apresentam uma metodologia multinível que envolve operadores de campo e centros de pesquisa/universidades para realizar e validar um processo de gestão que vai desde a inspeção até a avaliação das condições das pontes. O principal objetivo deste processo é adquirir um conhecimento adequado do estado atual e sua evolução ao longo do tempo dos edifícios que compõem as infraestruturas, a fim de apoiar as empresas de gestão em um processo de tomada de decisão e garantir um serviço em total segurança.

O uso de plataformas de software projetadas para digitalizar dados

As diretrizes propõem o uso de plataformas de software projetadas para a digitalização de dados de instalações, a fim de criar um sistema de gestão de pontes (BMS) no qual são coletadas as principais informações históricas e atuais do estado que podem ser atualizadas continuamente.

Em 2020, o CUGRI (Centro Interuniversitario di Ricerca per la Previsione e la Prevenzione dei Grandi Rischi) e a S.P.N. S.p.A. (Salerno Pompei Napoli S.p.A.) lançaram um modelo inovador de vigilância baseado em uma abordagem multidisciplinar baseada na linguagem GML (Geography Markup Language), bem como em ferramentas BIM, inspeções de campo interdisciplinares e análise multirrisco.

A imagem mostra o gestão de pontes | Planejamento da manutenção

Gestão de pontes | Planejamento da manutenção

Metodologia experimental e treinamento de campo dos inspetores

A metodologia testada envolve a formação em campo de inspetores, o desenvolvimento de modelos BIM adequados de acordo com as diretrizes acima mencionadas e os requisitos do AINOP (Archivio Nazionale delle Infrastrutture Pubbliche), e um processo de avaliação especializada para a avaliação preliminar de pontes e a validação de dados para apoiar o processo de gestão da manutenção. O estudo apresenta um modelo operacional inovador para o processo de vigilância, que integra inspeções de campo e julgamentos de especialistas em diferentes disciplinas usando a digitalização apropriada de pontes com tecnologias BIM e GIS.

Case de gestão de pontes: Autoestrada A3 Nápoles- Salerno

O estudo destaca a metodologia experimental aplicada na Autoestrada A3, que liga Nápoles a Salerno, na região italiana da Campânia.

O case destacou problemas e oportunidades, bem como uma primeira contribuição interdisciplinar para a modelagem do mapeamento de deslizamentos orientado a objetos. Desta forma, propôs-se um modelo de gestão e monitoramento das infraestruturas existentes que possa garantir a segurança e a funcionalidade das pontes e viadutos no território italiano.

Aproveitando as novas tecnologias como BIM e GIS e sua integração, é possível obter avaliações muito mais detalhadas das condições da ponte.

As atividades de inspeção e monitoramento devem ser implementadas por meio de um modelo operacional integrado que garanta o controle dinâmico da qualidade do processo de inspeção, a consistência da descrição dos resultados do monitoramento e a correção e homogeneidade da interpretação relativa aos fenômenos de degradação observados.

Para mais informações, é possível consultar gratuitamente o artigo resultante da pesquisa, disponível em inglês: Petti, L.; Lupo, C.; De Gaetano, C.M. A Methodological Framework for Bridge Surveillance.

A imagem mostra o classificação de risco e a gestão de pontes | Relatório da ponte

Gestão de pontes | Relatório da ponte

Integração de inspeções interdisciplinares e tecnologias avançadas

A integração de inspeções interdisciplinares e o uso de tecnologias avançadas como BIM e GIS permitem uma maior compreensão das condições de infraestrutura e facilitam a identificação de quaisquer questões críticas. Graças a essas tecnologias, é possível desenvolver planos de manutenção e intervenção mais eficazes e direcionados, minimizando os riscos e garantindo um serviço seguro aos usuários da estrada.

Análise multirriscos para gestão abrangente da infraestrutura

A adoção de uma análise multirriscos permite avaliar e monitorar diferentes fatores que podem afetar a segurança da infraestrutura, como riscos geológicos, hidrológicos e sísmicos. Essa abordagem possibilita identificar quaisquer situações perigosas em tempo hábil e tomar as medidas mais adequadas para mitigá-las.

Todos os elementos que compõem as redes rodoviárias (pontes, túneis, viadutos, etc.) são identificados por um código único chamado IOP. Este é um código de identificação que deve permanecer inalterado durante toda a vida do trabalho. Com as novas diretrizes tendemos a obter um processo de conhecimento multinível e multidisciplinar que permita uma gestão mais eficiente da manutenção de todas as obras.

As diretrizes devem ser consideradas um padrão que leva em consideração os diferentes aspectos do trabalho, o ambiente circundante e a exposição, de modo a avaliar os riscos na infraestrutura.

Oportunidades e desafios do modelo de gestão de pontes proposto

O modelo operacional proposto apresenta diversas oportunidades, incluindo melhor conhecimento das condições da infraestrutura, maior eficiência na gestão da manutenção e redução dos riscos associados à degradação das estruturas. No entanto, a implementação desse modelo também acarreta alguns desafios, como a necessidade de treinar adequadamente os inspetores e integrar as diferentes habilidades e tecnologias empregadas no processo.

As diretrizes para classificação de riscos e gestão de pontes representam um passo importante na direção de uma gestão mais segura e eficiente da infraestrutura existente no país. Através da adoção de metodologias inovadoras e da utilização de tecnologias avançadas, é possível melhorar o conhecimento das condições das estruturas, otimizar os processos de manutenção e reduzir os riscos para a segurança dos utentes da estrada. Além disso, testar este modelo em casos concretos, como a Autoestrada A3, oferece uma oportunidade importante para avaliar a sua eficácia e fazer quaisquer melhorias com vista à sua implantação em larga escala.

 

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