Arquitetura hospitalar: critérios de projeto, tipos e exemplos em formato dwg para baixar_Edificius

Como fazer projeto de clínica: o guia técnico profissional

Como projetar uma clínica: normas e arranjo dos espaços com exemplos, modelos 3D e desenhos DWG realizados com um software de projeto arquitetônico BIM

Neste aprofundamento, explicaremos os temas principais a levar em conta no projeto de uma clínica, e forneceremos um projeto com renders, plantas, cortes em DWG e o modelo 3D da estrutura. Pode baixar gratuitamente tudo isso e editá-los utilizando um software profissional para engenheiros e arquitetos.

Primeiramente, abordaremos os elementos de projeto de hospitais, a evolução dos vários tipos de estruturas ao longo do tempo e os padrões internacionais a serem tidos em conta em fase de projeto. No próximo artigo, trataremos dos requisitos necessários para os ambientes de saúde e de mobiliário e acabamentos para as salas de espera, bem como de critérios de projeto dos quartos de hospital, percursos e concepção dos espaços.

Pode baixar imediatamente e gratuitamente o arquivo de exemplo que realizamos, que diz respeito ao projeto de uma clínica pediátrica em Arkansas (USA) do estúdio Marlon Blackwell Architects.

Sugerimos que baixe a versão de teste do Edificius, o software de projeto arquitetônico BIM que utilizamos na modelagem.

A imagem mostra o render do exterior de uma clinica

 

A imagem mostra o render da sala de espera de uma clinica

Evolução dos tipos de arquitetura hospitalar

Uma primeira referência para a descrição das várias construções hospitalares modernas é o hospital com pavilhões, nascido no final do século XVIII e utilizado, com algumas alterações, até meados do século XX.

Ele consta de vários edifícios (pavilhões), com espaços verdes e uma grande concentração de serviços gerais. Cada pavilhão possui todo o necessário para cuidar dos doentes. O projetista tem que satisfazer os requisitos de conforto ambiental, ventilação, iluminação natural e orientação dos edifícios, prestando particular atenção aos corredores e às instalações sanitárias para os pacientes.

Os vários pavilhões são combinados de forma “linear”(em “T” ou “H”) ou de forma circular, com percursos perpendiculares simples ou duplos. Entre os edifícios ficam amplos espaços abertos, frequentemente pátios.

Ao longo do tempo, a estrutura do hospital tornou-se mais complexa:

  • os departamentos especializados (salas de operações, laboratórios de análises ou alas de isolamento), ficaram autônomos da estrutura.
  • Foram projetados pavilhões especializados por tipo de doença e tratamentos, que – em seguida – se tornaram clínicas especializadas.
  • Os corredores foram transformados em quartos com um ou mais leitos.

Os principais defeitos do hospital com pavilhões são a grande ocupação do solo devido às áreas construídas, custos mais elevados de construção e gerenciamento, transtornos para doentes e pessoal devido às longas distâncias.

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Nos anos Vinte, nos USA nascem os primeiros hospitais monobloco, em que as atividades de hospitalização, diagnóstico, tratamento e gerenciamento-administração estão localizadas em edifícios de vários andares. O hospital monobloco refere-se a formas planimétricas em “T”, “U” ou duplo “T”. Os blocos estão distribuídos em várias faixas funcionais e podem ser classificados como edifícios múltiplos. A altura dos blocos varia entre 12 (Europa) e 30 (USA) andares.

Nos anos ’40-’50, surge o hospital placa-torre. A área da hospitalização fica na parte com desenvolvimento vertical (torre), enquanto os espaços destinados a tratamentos e serviços ocupam a base do hospital (placa).

Tendo em conta as evoluções mais recentes, é possível distinguir três tipos ou opções de projeto:

  • mega-estrutura. O hospital, muito complexo, pode possuir várias configurações. Trata-se de edifícios com estratégias múltiplas, flexíveis e elásticos. Dessa forma, o processo de construção estende-se à fase de gerenciamento, além das fases de programação e implementação das intervenções.
  • Edifícios adaptáveis. Obras complexas realizadas através de modelos de agregação baseados na definição de ‘Unidades funcionais elementares’ e no relacionamento plano altimétrico das mesmas. Os mais conhecidos são os sistemas ingleses Harness, Nucleus e Oxford, lembrando que esse tipo de modelagem pressupõe que as partes do conjunto arquitetônico interajam entre si.
  • Integrados nas cidades. O hospital integra-se na cidade e, embora mantenha o seu caráter peculiar, tende a incorporar atividades puramente urbanas: a residência, o comércio, a direcionalidade. A arquitetura hospitalar enriquece-se, então, de espaços semipúblicos (praça ou centro comercial) que podem ser aproveitados por pacientes, pessoal, visitadores e público.

Estas experiencias seguem a tendência de realização que prevê edifícios de baixa altura integrados na cidade. Desta forma, então, o aspeto hoteleiro / receptivo e o aspeto direcional / terciário tendem cada vez mais a ser homologados com estruturas não relacionadas com o mundo da saúde.

A tendência atual é reorganizar os espaços internos conforme dois pontos:

  1. reforço e ampliação dos espaços técnicos e de instalação;
  2. renovação completa dos quartos.

A humanização dos hospitais, portanto, leva a uma ampliação dos quartos, a uma redução no número dos mesmos e ao uso de tecnologias mais avançadas e mobiliário mais personalizado.

Normas de referências internacionais

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Europa

A nível internacional, há organizações europeias e associações que tratam de difundir e compartilhar padrões sobre metodologias e abordagem de construção em relação aos hospitais, independentemente deles serem públicos, privados ou especializados.

Nessa perspectiva trabalha a European Health Property Network, da qual fazem parte muitos Países da União Europeia. Os membros da EuHPN visam interagir e discutir a fim de aprender e compartilhar os padrões de excelência na arquitetura hospitalar. Isso é exatamente o que aconteceu com a publicação do documento

Guidelines and Standards for Healthcare Buildings: a European Health Property Network Survey

que inclui respostas de membros e associados à EuHPN relacionadas ao uso de linhas guias para o projeto e a construção de hospitais.

USA

Um interessante artigo do Whole Building Design Guide fornece uma panorâmica da situação nos USA, onde associações como a AIA – Academy of Architecture for Health (AAH) e a American Society for Healthcare Engineering (ASHE), entre outras, colaboram para melhorar constantemente os padrões da arquitetura hospitalar.

Projeto de uma clínica: organização das áreas de recepção

Projeto de uma clínica – Render da sala de espera realizado com Edificius

Em geral, no projeto de clínicas, convém prestar particular atenção às áreas consideradas mais importantes, como as salas de operação e intervenção (consultórios, salas de diagnósticos), áreas técnicas e de hospitalização. Outros espaços (salas de recepção, espera e corredores) vem considerados como espaços residuais.

Porém, como são justamente esses ambientes que acolhem o público, eles acabam afetando – de forma mais ou menos consciente – a opinião sobre a clinica. O sentido comum é que os ambientes destinados aos tratamentos e à saúde sejam espaços sem personalidade, e isso pode causar sensações negativas, tais como ansiedade, impaciência e tédio.

Nos hospitais, as áreas de recepção e espera (o átrio, mas também os espaços de ligação) desempenham funções precisas, que vamos analisar.

Projeto de uma clínica – Render da sala de espera realizado com Edificius

Entrada

A entrada é frequentemente o primeiro ponto de contato entre os usuários e a clínica, tendo a função de distribuir o fluxo de pessoas dentro do edifício. A entrada acolhe uma série de elementos essências (instalações sanitárias, sinalização para o público, áreas de recreação, espaços comerciais e, sobretudo, a área para recepção,  informações e admissão).

Projeto de uma clínica – Andar térreo

O espaço dedicado à recepção deve ser identificável e facilmente reconhecível. Deve, portanto, ser projetado utilizando uma iluminação particular ou com cores, materiais e formas que o tornem característico. Da recepção deve ser possível localizar as entradas aos percursos principais, tanto para facilitar a orientação do público como para garantir a monitorização dos ambientes.

A área de registro fica perto da recepção. É essencial garantir a privacidade aos pacientes, que deverão poder dispor de ambientes separados e acolhedores.

Nos espaços dedicados aos percursos e à ligação entre os ambientes, pisos e revestimentos de parede devem ser resistentes ao desgaste, tendo em conta o intenso tráfego de pessoas.

Nesses espaços é preciso que os acabamentos possuam características de continuidade e fácil manutenção. Por exemplo, a conexão entre parede e piso deve ser arredondada para que possa ser facilmente limpa. Portanto, são recomendados pisos contínuos com acabamentos de resina autonivelante, borracha, linóleo e vinil.

Projeto de uma clínica – Elevação norte – Edificius

Espaços de ligação

Graças aos espaços de ligação e aos percursos, pacientes e visitantes acessam o edifício e andam nele. É essencial que as características dessas áreas transmitam familiaridade e calor, promovendo assim um bom impacto psicológico.

No projeto de uma clínica é bom prever quadros de avisos informativos, assentos com mesas baixas para incentivar os visitantes a conversar, bancos, elementos verdes e canteiros de flores, aberturas para o exterior.

Áreas de passagem e de espera

Geralmente, áreas de passagem e de espera resultam de alterações e acréscimos ao longo dos percursos de ligação.

Ao projetar as áreas de passagem (átrio, corredores, nós) e de espera (recepção, admissão), é recomendável manter a unidade de projeto em todo o hospital.

Projeto de uma clínica – Vista em corte isométrico – Edificius

Download

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Baixe o modelo BIM 3D (arquivo .edf) do projeto de uma clínica pediátrica

Baixe os desenhos DWG do projeto

 

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