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Home » BIM e eficiência energética » Composição da estratigrafia e soluções para o envoltório edilício

Composição da estratigrafia e soluções para o envoltório edilício

Gerencie estratigrafias e envoltório edilício no BIM. Guia sobre materiais e edição IFC para evitar erros e otimizar o projeto

Editorial Team / janeiro 12, 2026

Como sabemos, a gestão das estratigrafias dos envoltórios edilícios opacos é de extrema importância, uma vez que a estratigrafia deve satisfazer valores e características pré-estabelecidas, como: resistência ao fogo, isolamento térmico, isolamento acústico, etc.

Neste artigo, explico como operar de forma fácil e rápida para gerenciar as estratigrafias do seu projeto.

Com a ajuda de um software de projeto edilício 3D/BIM, vamos ver como definir as estratigrafias de todos os envoltórios (paredes, lajes, telhados, etc.) e estabelecer, já na fase de projeto, uma série de características e critérios dos diferentes estratos (configuração da hierarquia dos estratos, diagrama de Glaser, etc.).

Vamos ver como aproveitar ao máximo as funcionalidades desta ferramenta.

A imagem ilustra um exemplo de interface do Edificius para o gerenciamento de camadas de parede

Interface do Edificius para o gerenciamento de camadas de parede

Índice

  • O que é o envoltório edilício e como se integra com a modelagem BIM
  • O que é a estratigrafia e por que é essencial nos envoltórios edilícios?
  • Gestão das estratigrafias com um software BIM
  • Visualizar as camadas
  • FAQ sobre estratigrafias

O que é o envoltório edilício e como se integra com a modelagem BIM

O envoltório edilício não é simplesmente a “pele” de um edifício; é um sistema complexo e dinâmico que atua como um filtro primário entre o ambiente interno e o externo. Em uma era em que a eficiência energética e o conforto habitacional são imperativos normativos e morais, o envoltório assume um papel crucial: deve garantir isolamento térmico, proteção contra agentes atmosféricos, controle da umidade e isolamento acústico, tudo mantendo uma coerência estética com o projeto arquitetônico.

A integração deste sistema com a modelagem BIM representa um salto de qualidade fundamental em relação ao projeto CAD tradicional. No BIM, o envoltório deixa de ser uma simples linha ou um padrão em um plano 2D para se tornar um “objeto inteligente” rico em dados.

Quando modelamos um envoltório em ambiente BIM, não estamos apenas definindo a geometria (espessura, altura, posição), mas estamos associando a esse elemento uma série de informações paramétricas vitais: transmitância térmica, massa superficial, resistência ao vapor e comportamento estrutural. Essa integração permite antecipar problemas na fase de design, simular o comportamento energético do edifício antes mesmo de ser colocada a primeira pedra e garantir que as informações fluam corretamente para o formato aberto IFC, essencial para a interoperabilidade entre as diferentes disciplinas (estrutural, de instalações, arquitetônica).

Componentes chave de um envoltório edilício na projetação arquitetônica

Para compreender como gerenciar corretamente a edição de um arquivo IFC ou a modelagem nativa, é essencial decompor o envoltório em seus componentes fundamentais. Na linguagem BIM, estes não são simples “estratos”, mas entidades com propriedades físicas e funcionais distintas que devem ser mapeadas corretamente para evitar erros de exportação ou perda de dados.

Os componentes chave que definem a qualidade e a funcionalidade do envoltório incluem:

  • estrato estrutural (Core Layer): é a alma portante da parede ou da cobertura (ex. concreto armado, alvenaria estrutural, painéis XLAM). No BIM, este estrato é frequentemente definido como “Core” e serve como referência para o alinhamento das junções entre paredes e lajes;
  • isolamento térmico: fundamental para o balanço energético. Sua correta definição no modelo (espessura, condutividade, etc.) é crítica para as análises energéticas subsequentes. Um erro comum é não especificar corretamente a continuidade deste estrato, criando pontes térmicas virtuais no modelo;
  • barreiras e freios de vapor: frequentemente negligenciados na modelagem geométrica por serem “finos”, são, no entanto, decisivos nos cálculos higrométricos (como o diagrama de Glaser). Devem estar presentes como dados informativos ou camadas dedicadas para uma correta análise da condensação intersticial;
  • revestimentos e acabamentos (internos e externos): além da função estética, protegem os estratos internos. Em um arquivo IFC, a distinção entre acabamento e elemento estrutural é vital para o cálculo métrico estimativo (Quantity Take-off), permitindo calcular separadamente os metros quadrados de reboco em relação aos metros cúbicos de alvenaria;
  • sistemas de ancoragem e subestruturas: especialmente nas fachadas ventiladas, a gestão desses elementos no modelo BIM requer um equilíbrio entre detalhe geométrico (LOD – Level of Development) e peso do arquivo. Muitas vezes opta-se por uma representação geometricamente simplificada, mas rica em metadados.

A esse respeito, recomendo a leitura do artigo de aprofundamento “Estratigrafia paredes: o que é e como calculá-la” onde é explicado em detalhe tudo o que você precisa saber sobre este assunto.

O que é a estratigrafia e por que é essencial nos envoltórios edilícios?

No contexto do projeto BIM e da gestão de arquivos IFC, o termo “estratigrafia” (ou Material Layer Set na linguagem técnica IFC) não se refere simplesmente à representação gráfica de uma parede seccionada. É, de fato, a identidade tecnológica do elemento construtivo.

A estratigrafia é a organização lógica e sequencial dos diferentes materiais que compõem um elemento do envoltório (paredes, lajes, telhados). Sua essencialidade reside no fato de que transforma um volume geométrico genérico em um componente construtivo real. Sem uma estratigrafia corretamente definida, uma parede no modelo BIM é apenas um paralelepípedo vazio; com a estratigrafia, torna-se um sistema capaz de interagir com o ambiente.

Por que é tão crítica?

  1. precisão do cálculo (QTO): se a estratigrafia é definida corretamente, o software pode interrogar o modelo para saber exatamente quantos metros cúbicos de isolante são necessários, separando-os dos metros cúbicos de tijolo. Um erro aqui se traduz diretamente em erros de orçamento;
  2. análise energética: os motores de cálculo energético não “veem” a parede, mas leem a sequência dos materiais e suas propriedades físicas. Uma estratigrafia errada (ex. materiais invertidos ou propriedades térmicas ausentes) invalida qualquer simulação energética;
  3. interoperabilidade IFC: quando exportamos para IFC, a estratigrafia é traduzida em classes específicas (IfcMaterialLayerSet). Se essa estrutura está desorganizada desde o início, quem recebe o arquivo (por exemplo, o estruturalista ou o especialista em instalações) encontrará dados inutilizáveis ou geometricamente incoerentes.

O que inclui a estratigrafia: camadas e materiais do envoltório

Entrando no detalhe operacional, uma estratigrafia bem construída não é uma simples lista pontuada. Cada “camada” dentro do pacote de parede ou da cobertura deve trazer consigo um conjunto específico de atributos que definem o comportamento de todo o sistema.

Quando analisamos ou criamos uma estratigrafia, estamos gerenciando três níveis de informação para cada camada individual:

Identidade do material

Não basta chamar uma camada de “Isolante”. É preciso especificar se é Lã de Rocha, XPS ou EPS. No BIM, isso significa associar à camada um material específico presente na biblioteca do software, que por sua vez possui uma representação gráfica para as seções e uma textura para os renders 3D.

Propriedades geométricas (espessura variável vs fixa)

Cada camada tem uma espessura. No entanto, a distinção fundamental é entre camadas de espessura fixa (como um painel de gesso ou um isolamento térmico) e camadas de espessura variável (como os contrapisos inclinados ou as concretagens de acabamento). Definir corretamente essa propriedade é vital para gerenciar as inclinações nas coberturas ou as junções entre paredes irregulares sem “quebrar” o modelo.

Propriedades físico-técnicas

É aqui que o BIM mostra seu verdadeiro poder. Cada material dentro da estratigrafia deve incluir os parâmetros para o cálculo:

  • condutividade térmica (λ), para o cálculo da transmitância U;
  • densidade (ρ), para o cálculo da massa e da inércia térmica;
  • fator de resistência à difusão do vapor (μ), essencial para verificar se a parede “respira” ou se formará condensação;
  • capacidade térmica específica (c), para avaliar o acúmulo de calor.

Gestão das estratigrafias com um software BIM

Um modelo BIM mais completo possível não pode deixar de incluir informações sobre as camadas de parede.

Vejamos como como é simples criar camadas de parede com Edificius, ou mesmo customizar aquelas já presentes no rico catálogo proposto pelo software.

Antes de começar, recordamos que:

  • se você já possui o software e não consegue ver esses recursos, é necessário atualizá-lo, o que é totalmente gratuito. Para fazer:
    • acesse a sua área pessoal em MyACCA;
    • clique no botão “Atualizações da Internet” que se encontra no menu “?” ou na tela inicial do software.
  • Se você ainda não tem o software, baixe agora a versão gratuita de Edificius.

Adicione, exclua, edite ou mova camadas de parede

Para criar camadas personalizadas e adaptado ao seu caso específico, é possível tanto editar as já existentes como adicionar novas com Edificius.

Vamos ver detalhadamente como proceder para adicionar, excluir, modificar ou mover as camadas de materiais de maneira simples e rápida.

Primeiro, abra o editor da parede (parede, laje, telhado, etc.), selecione o elemento de interesse e clique no comando Editor das camadas de parede que se encontra na seção “Propriedade” à direita.

Agora, clique no comando “Editar” da barra de ferramentas. Neste ponto, você acessa uma nova janela onde, selecionando individualmente cada camada da parede, é possível editar suas propriedades.

Além disso, o que você pode fazer nesta seção é:

  • adicionar novas camadas à direita ou à esquerda de uma camada selecionada ();
  • atribuir um material a uma camada existente ();
  • mover uma camada para a esquerda ou para a direita ();
  • excluir uma camada ().

Assim que terminar as alterações, também é possível:

  • visualizar o diagrama de temperatura ();
  • visualizar o diagrama de pressão ();
  • visualizar todas as camadas com e sem hachuras ().

Finalmente, você pode clicar no comando “Terminar” para confirmar e salvar todas as alterações feitas.

A imagem ilustra um exemplo de gerenciamento de ecamadas de parede

Gerenciamento de camadas de parede com um software BIM

Hierarquia materiais

Uma vez que a estratigrafia foi criada e atribuída às paredes do modelo, você pode focar na gestão dos detalhes para tornar seu trabalho mais realista.

Por exemplo, pode verificar as interseções dos vários materiais nos cruzamentos entre várias paredes e garantir que haja continuidade da mesma camada. A imagem que proponho a seguir ilustra como manusear corretamente as camadas do revestimento na junção entre as duas paredes perimetrais.

A imagem ilustra um exemplo de gerenciamento de camadas de parede

Gerenciamento de camadas das paredes com Edificius

Com Edificius, para obter cruzamentos corretos entre os diferentes materiais e as diferentes camadas (como na imagem acima), você pode atribuir uma prioridade diferente a cada camada, criando uma verdadeira hierarquia entre as diferentes camadas. A camada com prioridade maior passará pelas outras camadas até se unir com outros materiais de igual prioridade. O objetivo é representar fielmente a situação real.

Para isso, basta selecionar o “tipo de camada” (acabamento, isolamento, estrutura, etc.) e, se necessário, ativar a visto “núcleo”. Este último aspecto permite dar continuidade a cada elemento dentro dele e não ser “interrompido” nas interseções entre paredes por elementos que não pertencem ao núcleo.

Para entender melhor, siga o seguinte:

  • os materiais que têm “núcleo” marcado não se cruzam com materiais que não pertencem ao núcleo dessa ou de outras paredes. Isso permite que você continue sem interrupção até uma possível conexão com outros elementos do mesmo grau;
  • a prioridade vai aumentando a partir do “acabamento” até a “estrutura”. A essas camadas é atribuído um valor que você pode visualizar na janela de propriedades sob o título “Prioridade” (quanto maior o valor, maior a prioridade);
  • os símbolos “+” e “-“, presentes em “tipo de camada”, aumentam ou diminuem o grau de prioridade de uma determinada camada, atribuindo um aumento ou diminuição na pontuação visível nas propriedades.
A imagem ilustra um exemplo de gerenciamento de camadas de parede

Propriedades das camadas de uma parede

Essa metodologia permite, portanto, representar corretamente as interseções entre as diferentes camadas de material dos vários elementos.

Visualizar as camadas

Imagine que você associou todas as camadas às paredes e deseja exibi-las em seu modelo.

Com Edificius você pode visualizar as camadas:

  • na visualização 3D: depois de ter selecionado o objeto “plano” na vista 3D, ative o “Visualizar”, na barra de ferramentas, e marque a caixa “Estratigrafias da Parede”, nas propriedades;
  • nas tabelas gráficas:  ative a verificação de “Estratigrafias da Parede” na janela de propriedades.

Com esta nova função, você pode visualizar todas as alterações feitas nas estratigrafias em tempo real e sempre manter suas escolhas de projeto sob controle.

A imagem ilustra um exemplo de gerenciamento de camadas de parede

Gerenciamento de camadas das paredes com um software BIM | Visualização

FAQ sobre estratigrafias

O que é o envoltório edilício?

O envoltório edilício é um sistema complexo e dinâmico que atua como um filtro entre o ambiente interno e externo. Não é apenas a pele do edifício, mas um conjunto de elementos que garantem isolamento térmico, proteção contra agentes atmosféricos, controle da umidade, isolamento acústico e coerência estética com o projeto arquitetônico.

Por que o envoltório edilício é fundamental na projeção moderna?

O envoltório edilício é fundamental porque contribui de forma decisiva para a eficiência energética e o conforto habitacional, que hoje representam requisitos normativos e projetuais imprescindíveis. Um envoltório corretamente projetado reduz o consumo energético e melhora a qualidade dos ambientes internos.

Como se integra o envoltório edilício com a modelagem BIM?

No BIM, o envoltório edilício torna-se um objeto inteligente rico em dados. Além da geometria, são associadas informações paramétricas como transmitância térmica, massa superficial, resistência ao vapor e comportamento estrutural, permitindo simulações energéticas, análises preventivas e uma correta interoperabilidade através do formato IFC.

Quais são os principais componentes do envoltório edilício no BIM?

Os principais componentes do envoltório incluem o estrato estrutural ou core layer, o isolamento térmico, as barreiras e os freios de vapor, os revestimentos e os acabamentos internos e externos, além dos sistemas de ancoragem e das subestruturas, especialmente nas fachadas ventiladas.

O que é a estratigrafia no envoltório edilício?

A estratigrafia é a organização lógica e sequencial dos materiais que compõem um elemento do envoltório, como paredes, lajes e coberturas. No BIM, representa a identidade tecnológica do elemento construtivo e transforma uma geometria genérica em um componente real e analisável.

Por que a estratigrafia é essencial na projeção BIM?

A estratigrafia é essencial porque influencia diretamente a precisão do cálculo métrico, as análises energéticas e a interoperabilidade IFC. Uma estratigrafia errada pode gerar erros de orçamento, simulações energéticas não confiáveis e problemas na troca de dados entre as diferentes disciplinas.

Quais informações deve incluir uma estratigrafia BIM correta?

Uma estratigrafia BIM correta inclui a identidade precisa dos materiais, as propriedades geométricas como espessura fixa ou variável e as propriedades físico-técnicas, incluindo condutividade térmica, densidade, fator de resistência ao vapor e capacidade térmica específica.

Como gerenciar as estratigrafias com um software BIM como Edificius?

Com Edificius, é possível criar, modificar, eliminar e mover as camadas dos materiais através do editor do envoltório. O software também permite visualizar diagramas de temperaturas e pressões, controlar as prioridades dos materiais e gerenciar corretamente as interseções entre os elementos do envoltório.

Para que serve a hierarquia dos materiais nas estratigrafias?

A hierarquia dos materiais serve para gerenciar corretamente as interseções entre diferentes envoltórios. Atribuindo prioridades e definindo o núcleo, é possível garantir a continuidade dos estratos estruturais e representar de forma fiel a realidade construtiva.

Como visualizar as estratigrafias em um modelo BIM?

As estratigrafias podem ser visualizadas tanto na vista 3D, ativando a pré-visualização e a opção de estratigrafias de envoltórios, quanto nas tabelas gráficas através das propriedades. Isso permite controlar em tempo real as escolhas projetuais e as modificações realizadas.

 

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