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Manutenção da iluminação pública: procedimentos e planejamento

Tudo o que precisa ser incluído em um plano de manutenção da iluminação pública para garantir eficiência e segurança

Planejar a manutenção do sistema de iluminação pública é absolutamente necessário em um cenário de gestão eficiente e segurança dos ativos.

Neste artigo, exploramos as diferentes tipologias de intervenções de manutenção e os critérios para um planejamento de atividades em conformidade com a lei, estruturado e escalonado ao longo do tempo. A adoção de tecnologias avançadas (como o IoT) e o uso de software específicos de gestão de instalações podem representar um suporte válido para monitorar o serviço, geolocalizar as intervenções de manutenção a serem realizadas, gerenciar e coordenar as atividades e o pessoal envolvido.

Tipos de intervenção na verificação do sistema de iluminação

O processo de verificação do sistema de iluminação pode exigir uma variedade de intervenções, incluindo:

  • manutenção ordinária, inclui ações destinadas a reparar partes do sistema afetadas pelo desgaste, pelas condições atmosféricas e pelo passar do tempo. Essas intervenções, definidas como “de rotina”, incluem a troca de lâmpadas, a limpeza dos centros luminosos, a pintura, a manutenção dos postes e a renovação das partes da linha;
  • manutenção extraordinária, envolve desempenhos “não rotineiros”, muitas vezes exigindo o uso de equipamentos específicos. Embora não alterem substancialmente a natureza do sistema, tais ações visam melhorar sua eficiência geral. Essas intervenções podem incluir a substituição de componentes com diferentes características, a alteração dos pontos de luz, a substituição de partes dos quadros elétricos ou a instalação de fotocélulas;
  • manutenção dos aparelhos de iluminação, concentra-se na substituição de lâmpadas e acessórios, juntamente com a limpeza aprofundada dos corpos luminosos. Os especialistas dedicados a essa função examinam cuidadosamente as várias partes de todo o sistema de iluminação pública, incluindo grampos, cabeamento e reatores, para garantir não apenas o funcionamento correto, mas também a máxima segurança e eficiência;
  • manutenção do sistema elétrico, uma vez que o sistema elétrico está localizado em espaços públicos, potencialmente sujeitos a causar danos a pessoas e bens, é fundamental realizar inspeções periódicas para identificar e resolver prontamente quaisquer anomalias. Isso inclui a verificação do fechamento dos quadros elétricos, dos interruptores e dos diferenciais, além da medição das correntes absorvidas para identificar possíveis falhas ou mau funcionamento;
  • manutenção dos suportes, essencial para garantir um funcionamento ideal do sistema. Portanto, é necessário verificar cuidadosamente as armaduras de contenção, os postes e as tesouras, concentrando a atenção na estabilidade geral do sistema.

Gestão da manutenção com aplicativos IoT

Numa perspectiva de modernização e eficiência, a adoção de tecnologias Internet das Coisas (IoT) pode revolucionar a gestão da manutenção da iluminação pública. Introduzindo sensores e dispositivos inteligentes nos aparelhos de iluminação, é possível monitorar em tempo real o estado de cada componente do sistema. Os sensores podem detectar dados como temperatura, intensidade luminosa, consumo de energia e funcionamento das lâmpadas.

As informações coletadas pelos dispositivos IoT são transmitidas para uma plataforma BIM IoT, que permite que o pessoal encarregado da manutenção tenha uma visão detalhada das condições das instalações. Em caso de anomalias ou falhas, o sistema pode gerar automaticamente relatórios de manutenção, permitindo intervenções rápidas e direcionadas.

Gestão de ativos com software IoT integrado

Gestão de ativos com software IoT integrado

A manutenção preditiva torna-se possível graças à capacidade dos IoT de prever falhas antecipadamente, analisando os dados coletados. Por exemplo, os sensores podem detectar uma queda na eficiência de uma lâmpada ou anomalias no consumo, permitindo que os operadores intervenham antes que ocorra uma falha completa.

A integração de aplicativos IoT na iluminação pública não apenas otimiza a manutenção, mas também contribui para uma gestão mais sustentável da energia. A regulação dinâmica da intensidade luminosa em resposta às condições ambientais ou à passagem de pessoas pode ser implementada para reduzir ainda mais o consumo de energia.

Além disso, os aplicativos IoT permitem automatizar os processos de monitoramento e gestão das intervenções de manutenção. Os responsáveis podem receber notificações automáticas, atribuir tarefas aos operadores e acompanhar as intervenções realizadas, contribuindo para uma gestão mais eficiente e documentada de todo o processo de manutenção da iluminação pública.

Plano de manutenção da iluminação pública

O plano de manutenção da iluminação pública constitui o sistema principal para a gestão e controle das ferramentas e objetivos da manutenção. Ele pode ser articulado em:

  • manual de uso, refere-se às partes mais importantes do sistema e contém os desenhos com a localização dessas partes;
  • plano de manutenção, contém os mesmos elementos de identificação do manual de uso e, além disso, as possíveis anomalias, as operações de manutenção e os recursos relacionados, o nível mínimo de desempenho;
  • programa de manutenção, relata o desempenho das partes, as intervenções de manutenção e os tempos relativos, os controles para a manutenção dos níveis de desempenho.

A gestão global do sistema deve visar a alcançar objetivos finais específicos, detalhados a seguir:

  • prolongar a duração efetiva do funcionamento do sistema;
  • reduzir a incidência de falhas;
  • abreviar os tempos de intervenção em caso de falhas, considerando a manutenibilidade e os recursos disponíveis;
  • reduzir os tempos de espera para o acesso aos recursos humanos e aos meios necessários;
  • otimizar a disponibilidade de peças de reposição.

Uma manutenção apropriada das instalações, na medida do possível, também cumpre as seguintes responsabilidades:

  • contribui para a manutenção dos padrões de segurança e funcionalidade previstos;
  • facilita a continuidade na prestação de serviços;
  • limita os danos econômicos;
  • reduz os riscos de danos irreversíveis;
  • permite o monitoramento dos parâmetros relacionados ao contrato de fornecimento de energia elétrica celebrado com a entidade distribuidora, garantindo o cumprimento dos acordos e prevenindo encargos financeiros desnecessários.

No entanto, é importante ressaltar que, mesmo com uma manutenção realizada corretamente, não é possível evitar o natural deterioramento dos vários componentes, pois cada um deles sofre um processo de envelhecimento mais ou menos acelerado, influenciado pelo tipo de material, pelas condições ambientais, pelas solicitações externas e pela gravidade do serviço a que estão sujeitos.

Para garantir que as instalações e seus componentes mantenham condições adequadas para uso, é essencial realizar inspeções periódicas regulares ou submeter as instalações a uma vigilância contínua por pessoal qualificado. Esse monitoramento é fundamental para adotar intervenções de manutenção com base nos resultados das verificações.
Os principais fatores que podem comprometer o correto funcionamento do sistema de iluminação e seus componentes estão listados abaixo:

  • intensa atividade de serviço;
  • condições ambientais adversas (entrada de água ou corpos sólidos, exposição a temperaturas extremas, umidade, velocidade do vento, radiação solar direta, etc.);
  • solicitações externas (impacto mecânico, vibrações anormais, presença de flora, mofo, fauna, etc.);
  • sensibilidade à corrosão;
  • contato com substâncias corrosivas ou poluentes (produtos químicos ou solventes);
  • acúmulo de poeira e sujeira;
  • formação do pessoal responsável;
  • modificações ou ajustes não autorizados;
  • manutenções inadequadas ou não conformes às instruções do fabricante;
  • antiguidade em relação à vida útil prevista.

Com base nesses fatores, desenvolve-se um programa de inspeções que inclui a definição do tipo de verificação e dos intervalos temporais. É importante seguir a periodicidade e as modalidades de manutenção indicadas nos manuais de uso e manutenção fornecidos pelos fabricantes, intervindo prontamente em caso de sinais evidentes de deterioração ou mau funcionamento.

Lembro que todos esses aspectos podem ser gerenciados com maior controle através do uso de software de gerenciamento de instalações baseados em plataformas de nuvem e multi-dispositivos.

Sistema de gerenciamento de manutenção computadorizado (CMMS)

Sistema de gerenciamento de manutenção computadorizado (CMMS)

Critérios de manutenção

Para reduzir os tempos e custos das operações de manutenção, é fundamental adquirir conhecimento sobre as características do sistema, sua localização e a disposição dos principais componentes (quadros elétricos, condutas, caixas de derivação, etc.).

Para otimizar as intervenções, é necessário:

  • identificar os meios, materiais e equipamentos necessários;
  • verificar a disponibilidade dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs);
  • avaliar os materiais necessários para as intervenções planejadas.

Em conclusão, para realizar uma manutenção correta e eficaz do sistema, é crucial dispor da documentação do projeto e da documentação técnica completa dos componentes, incluindo instruções e avisos de uso e manutenção fornecidos pelo projetista do sistema e pelos fabricantes dos componentes.

Modo de intervenção

A seguir, um breve resumo das diferentes modalidades de intervenção para as operações de manutenção do sistema de iluminação pública.

Manutenção corretiva

A manutenção corretiva, ou de necessidade, é prevista para sistemas de baixo conteúdo tecnológico, onde não são necessárias necessidades especiais de continuidade de operação. Geralmente solicitada sob chamada, é importante garantir a disponibilidade do mantenedor especificando dias, horas de trabalho e tempos de intervenção. As operações de manutenção corretiva incluem a substituição de:

  • lâmpadas;
  • acessórios elétricos dos aparelhos de iluminação;
  • cablagens elétricas à vista e acessórios de montagem relacionados;
  • terminais internos nos postes ou para a derivação de pontos de luz suspensos;
  • interruptores, relés e terminais dos armários de comando e proteção.

A manutenção corretiva ordinária inclui também a restauração da proteção anticorrosiva nos postes, se necessário.

Intervenções que envolvem a substituição integral de componentes, por outro lado, serão consideradas manutenção extraordinária.

Para mais informações, leia também “Manutenção corretiva: o que é e como gerenciar“.

Pronto atendimento

O pronto atendimento visa garantir a segurança do sistema em situações de emergência, como:

  • possíveis contatos diretos entre pessoas e partes sob tensão;
  • tensões de passo e contato superiores aos valores de segurança;
  • instabilidade estática de elementos do sistema;
  • perigos para o tráfego veicular ou pedestre.

O pronto atendimento deve garantir a ativação das equipes a qualquer momento e as operações de reparo devem ser rápidas, com soluções provisórias se a restauração definitiva não for imediata.

Manutenção preventiva

A manutenção preventiva é prevista quando é necessário garantir a continuidade da operação. É necessário definir tempos de execução, dias de aviso prévio, modo de intervenção e disponibilidade de componentes substitutos. Inclui:

  • verificação do correto funcionamento dos equipamentos de comando, controle e regulação das instalações;
  • verificação dos parâmetros elétricos de funcionamento das instalações;
  • verificação do estado de conservação dos pontos de luz;
  • substituição programada das lâmpadas;
  • limpeza periódica dos equipamentos de iluminação;
  • gestão do estoque com peças de reposição;
  • intervenções de revisão, lubrificação e reparo de guinchos;
  • verificação e substituição de cabos de aço e acessórios para o suporte das linhas elétricas;
  • substituição dos sensores de comando por um sistema de telecontrole.

O plano de manutenção também define tempos e modos de intervenção relativos à troca das lâmpadas, limpeza dos equipamentos de iluminação, pintura dos suportes e retoque de elementos suspensos, monitoramento do estado de conservação e segurança das instalações por meio de inspeções visuais e medidas instrumentais periódicas.

Para mais informações, leia também “O que é manutenção preventiva?“.

Manutenção direta ou indireta

O cliente pode gerenciar a manutenção diretamente ou delegá-la a terceiros (manutenção indireta) com diferentes modalidades, como chamada sob demanda, presença permanente no local ou presença em dias pré-determinados.

Intervenções de manutenção de iluminação pública

Intervenções de manutenção de iluminação pública

Pontos-chave do plano de manutenção da iluminação pública

O plano de manutenção delineia os procedimentos e prazos para a manutenção ordinária e extraordinária das instalações elétricas e de iluminação pública. Alguns pontos-chave do plano incluem:

  • substituição programada das lâmpadas:
    • são especificadas as durações médias das lâmpadas de acordo com o tipo;
    • é proposta uma periodicidade de substituição com base no tipo de lâmpada, com sugestões de duração variando de 2 a 20 anos;
  • limpeza dos equipamentos de iluminação:
    • é indicada a periodicidade da limpeza de acordo com o tipo de equipamento, com frequências que variam de anual a bienal;
  • equipamento para manutenção:
    • são estabelecidos os equipamentos necessários para realizar a manutenção, incluindo veículos com plataformas para alcançar alturas elevadas;
  • cabos elétricos e quadros elétricos:
    • são recomendadas verificações periódicas nos cabos elétricos e limpeza dos quadros elétricos anualmente. É especificada a necessidade de verificar os disjuntores diferenciais
  • suportes:
    • é indicada a necessidade de pintar os suportes de aço quando necessário e podar a vegetação que possa obstruir a iluminação;
  • verificações periódicas e relato de falhas:
    • é recomendada a verificação mensal de todas as instalações de iluminação pública e a resolução oportuna das falhas relatadas;
  • tempos de intervenção:
    • são especificados os tempos máximos para a intervenção de acordo com a gravidade da falha, com situações de perigo que exigem intervenção em até 2 horas;
  • verificações do sistema de aterramento:
    • é exigido o registro dos sistemas de aterramento, a notificação às autoridades competentes e a verificação quinquenal da eficiência do sistema.

 

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